passou por ela
um bmw
sem ser notado
indignado
trocou por um conversível
assovio
do carro aberto
ela olha
o reconhece
responde ao aceno
indignado
por ela não ter se assustado
compra um porshe
uma ferrari
mas ela nada
não lhe dá bola
nem o nota
pobre ricaço
desolado
não entende
que ela não
está à venda
podia ele
até sem carro ou descalço
lhe descobrir todo o coração
se o segredo
se a chave portasse
daquele imenso
turbilhão
que a assolava
menina já não era
doce infância amarga
lhe pesava
nada sofria
só cantava
nada a abalava
mas eles não a compreendiam
mutilavam seus pensamentos
através
dos julgamentos
quiseram-na flor
mas ela era cacto
suportando bem todo o deserto
amava a chuva
mas sem sucumbir na falta desta
amava a tempestade
e o sol
também a brisa
amava a vida
amava
descalça
montada
no manga larga
ou no pangaré
seu coração
vira lata
era só alegria
eternamente
menina
a velha menina